domingo, 1 de julho de 2012

Filme Mr. Holland


UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA

RESENHA CRÍTICA DO FILME MR. HOLLAND

Wellington Luiz Santos Gouvêa
Metodologia de Ensino da Música II - Jul/2012


O filme Mr. Holland nos conta a história de um músico compositor que por questões financeiras decide lecionar. Mesmo com o intuito de agir por curto espaço de tempo acabou passando grande parte de sua vida atuando como professor. Além das responsabildades ou obrigações financeiras que o cotidiano lhe impôs, Mr Holland se apegou à esta profissão.
Desta primeira sugestão do filme já buscamos uma questão interessante, pois é um acontecimento que retrata a vida de muitos músicos não professores que, por questões diversas, se vêem na situação de lecionar. Em nossa própria licenciatura, na UEL, temos relatos de muitos alunos que saem da graduação, da licenciatura em música, sem terem em seus planos a docência mas que em pouco tempo se direcionam à tal ato.
O filme também descreve bem a situação de um homem que, como nunca havia pensado em lecionar, não tinha preparo suficiente em relação à didática. Após inúmeras frustrações ele começa a perceber que conhecendo o universo cultural ou existencial de seus alunos as portas começam a se abrir e a comunicação, ou a relação professor-aluno se torna efetiva. É quando ele investiga os gêneros musicais que estão mais presentes na vida de seus alunos e parte a argumentar musicalmente a partir desse repertório que lhes é familiar.
Em princípio Mr. Holland dava aulas expositivas como quem segue uma apostila, ignorando por completo o acompanhamento de seus alunos. Não houve a mínima preocupação com uma avaliação diagnóstica, ou um cuidado na compreensão dos alunos sobre os conteúdos. Até que o professor começa a se sentir fracassado, frustrado, e então procura por meios de atrair a atenção de seus alunos.
Esse momento é reforçado pela gravidez de sua esposa, quando Mr. Holland percebe que dificilmente vai conseguir deixar o cargo de professor, emprego que lhe proporcionava certa estabilidade financeira. Já não contava mais em juntar dinheiro para investir na carreira de compositor, precisava se tornar um bom professor e viver bem com isso. É quando decide que precisa tornar suas aulas mais agradáveis e interessantes para seus alunos e então parte para a descoberta do repertório que seus alunos mais gostavam de ouvir. Deste momento em diante ele consegue uma conexão com os alunos e passa ensinar música a partir deste repertório, estabelecendo relações entre essas músicas e outros estilos presentes na história da música.
É neste momento que Maura Penna afirma que Mr. Holland substituiu uma “função meramente técnica, [...] sistematizada em um livro didático [...]”, por uma atitude reflexiva (PENNA, 2010, p. 29). Um alerta interessante que o filme nos traz neste instante é o momento em que o professor decide fazer esta abertura com os alunos, utilizando o gênero rock n´ roll, e ao conquistar os alunos ele recebe uma advertência da escola sobre o risco de se utilizar uma música rebelde, fora dos moldes de disciplina, como que se esse sentimento fosse incondizente com o ambiente escolar disciplinador.
Isso pode ocorrer em nossa atual realidade brasileira, em nosso contexto, com a utilização do Rap ou do Funk, ou de músicas que possam ser enquadradas na chamada indústria cultural. Entretanto, como nos lembra Penna (2010, p.30), em nosso PCN para o ensino fundamental existe uma orientação similar, que propõe uma educação musical que parta da vivência do aluno, de sua relação com a música que lhe é familiar, e então estabeleça novos significados com a expansão de seus conhecimentos estético-musicais.
Este trabalho, da atividade reflexiva, pode não ser fácil mas se mostra bastante gratificante quando constata-se uma contribuição significativa na formação dos alunos.





REFERÊNCIA:

PENNA, Maura. Mr Holland, o professor de música na educação básica e sua formação. Revista da ABEM, Porto Alegre, V. 23, 25-33, mar. 2010.

domingo, 13 de março de 2011

Convênio entre UEL e escolas viabiliza o ensino de Música

Convênio possibilita o repasse de instrumentos musicais para escolas

Em convênio assinado hoje (11/03) na reitoria, a UEL cedeu, em sistema de comodato, 72 instrumentos musicais para as escolas estaduais Ana Molina Garcia e Moraes de Barros, de Londrina. Adquiridos com recursos do Ministério da Educação (MEC) e da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), e também doados pela Receita Federal, os instrumentos serão utilizados nas atividades do projeto de extensão “Identidades e Culturas Juvenis: agregando a escola e a comunidade na busca da transformação social”.
Com oficinas de violão, teclado, flauta doce, violino e percussão, além de artes visuais e teatro, em quase dois anos o projeto mudou a realidade social do Colégio Ana Garcia Molina, localizado na zona Leste de Londrina. As oficinas realizadas pelo Programa Universidade Sem Fronteiras da SETI, são desenvolvidas por estagiários dos cursos de Música, Artes Cênicas e Artes Visuais da UEL que buscam a integração entre a escola e as pessoas da comunidade.
Na avaliação da professora do Departamento de Música e Teatro (MUT), Cleusa Cacione, os instrumentos farão parte do material didático das escolas, inclusive para subsidiar o estágio curricular dos alunos do curso de Música. “Serão as duas primeiras escolas públicas com material adequado para as aulas, possibilitando o ensino efetivo de Música”, avalia. Já Aracelle Motta, diretora do colégio Ana Molina Garcia, afirma que a destinação dos instrumentos servirá para enriquecer as ações do projeto, já que a música será ensinada de maneira mais concreta. “A música está inserida no cotidiano da escola e conta com o completo envolvimento dos alunos”, diz. Além da vice-reitora da UEL, Bernice Quinzani Jordão, estiveram na assinatura do convênio a professora do MUT, Magali Oliveira Kleber.
A partir desde ano, o ensino de Música na Educação Básica (séries iniciais, Ensino Fundamental e Médio) passa a ser obrigatório nas escolas. Embora a lei que regulamenta a Música como conteúdo curricular tenha sido sancionada há quase três anos, as escolas públicas e privadas ainda se adaptam para incluir o ensino musical nos projetos pedagógicos e garantir o acesso de crianças e jovens ao conhecimento musical. 


domingo, 29 de agosto de 2010

Tem aula de música na escola!

Apesar de obrigatória desde 2008, Escola Municipal Norman Prochet ensina a disciplina aos alunos há sete anos.

Qual a diferença entre a flauta transversal e a flauta doce?, pergunta o professor. ‘‘A flauta doce dá para comer?’’, responde, com outra pergunta, um aluno da frente. Pelo tom lúdico, dá para saber que a aula acontece em uma escola. O som do instrumento de sopro, então, pode ser ouvido pela turma de terceira série da Escola Municipal Norman Prochet, região sul da cidade.

Estudantes de 1ª a 4ª séries estão aprendendo a distinguir o som de cada intrumento e os estilos musicais

A música é conteúdo obrigatório nas escolas públicas e particulares desde 2008 mas as instituições ganharam três anos para se adaptar à lei, o que significa que a partir do ano que vem, todas devem oferecer a disciplina. Na Norman Prochet, escola que ficou em primeiro lugar na nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) entre as instituições das séries iniciais de Londrina em 2010, as aulas fazem parte da rotina há sete anos.

Três vezes por semana, os alunos de 1ª a 4ª séries aprendem a distinguir o som dos diferentes instrumentos e os  ritmos dos variados estilos musicais do repertório brasileiro. O aprendizado vem na forma da participação. Eles cantam juntos, batem palmas e interagem com os professores. Os professores na verdade são oito alunos do estágio obrigatório do curso de licenciatura em Música da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os estudantes dos dois últimos anos do curso fazem o planejamento das aulas e ensinam os alunos da escola Norman Prochet.


Nas aulas, os alunos têm contato direto com os intrumentos musicais

‘‘Eles aprendem os aspectos rítmicos e melódicos, a instrumentalização, os gêneros musicais, tudo sob o ponto de vista da percepção sonora, da execução, da produção musical, e conforme a idade, da reflexão sobre a música e o contexto no qual ela está inserida’’, explica a docente e coordenadora de estágio do Departamento de Música da UEL, Helena Loureiro. Ela conta que, em uma das aulas, por exemplo, os alunos produziram um blues junto com os estagiários. 


Com as aulas, os alunos do ensino básico passam a ter contato direto com instrumentos musicais. ‘‘A gente vê instrumentos que nem conhecia’’, diz o aluno Victor Escame Munhoz, da terceira série. ‘‘Do saxofone, por exemplo, todo mundo ouve falar, mas quando trago tenho que identificar porque a maioria não sabe o que é’’, observa um dos estagiários da UEL, Wendel Gonçalves Antunes.

A flauta doce ajuda Vitor Antônio Campos, que tem asma, a respirar melhor

Os estilos musicais aprendidos em sala de aula também são variados. ‘‘Mas são principalmente os instrumentais, a que eles pouco têm acesso’’, continua Antunes. Para outro estagiário, Noel Carvalho Santos Jr, as aulas trazem uma experiência musical diferente da que a mídia costuma mostrar. ‘‘Sempre trago músicas folclóricas, especialmente músicas brasileiras.’’

Segundo Santos Jr, o importante é que os alunos não fiquem só de espectadores durante as aulas. ‘‘Uso muito o esquema das palmas e do pulso para ensinar o tempo da música, os próprios instrumentos para diferenciar o médio, grave e agudo...’’, exemplifica. E por mais que o objetivo seja ir além do que os alunos ouvem no dia a dia, o estagiário diz que sempre procura trabalhar com o contexto que a criança traz de casa, ‘‘para ter mais significado para ela’’.

Mais interesse

A diretora da escola, Sílvia Regina Souza Facco, afirma que as aulas de música têm efeito imediato sobre as crianças. ‘‘Elas fixam mais a atenção, têm mais motivação, estímulo, ficam mais calmas. Os indisciplinados ficam mais centrados e conseguem um resultado muito melhor.’’ Ela ainda conta que, depois das aulas, o interesse dos alunos em tocar algum instrumento também aumentou. ‘‘Temos muitas crianças que já foram iniciadas em um instrumento’’.

O interesse é grande; muitos querem aprender violão ou guitarra

Em uma das turmas de terceira série, por exemplo, a idéia de tocar guitarra entre os meninos cria entusiasmo. ‘‘Quero aprender a tocar violão para depois comprar uma guitarra’’, declara Mateus de Andrade Santos, de 9 anos. O aluno Victor Escame Munhoz partilha do desejo. ‘‘Vejo outras pessoas tocando violão e fico com vontade.’’ 

Já Vitor Antônio Campos, também de 9 anos, prefere os instrumentos de sopro. ‘‘Já aprendi flauta e trompete na igreja. Escolhi esses porque são instrumentos de sopro, e como tenho asma, eles ajudam na respiração.’’Na Norman Prochet, a música está presente não só nas aulas específicas, mas também de forma interdisciplinar. ‘‘Ela está inserida em atividades como a produção de texto com música de fundo, por exemplo. Os alunos pedem e já se acostumaram’’, comenta a diretora.


Mie Francine Chiba
Reportagem Local

Folha de Londrina
24/08/2010


MÚSICA É DIREITO DE TODOS

A docente do Departamento de Música da UEL, Helena Loureiro, explica que a música é uma área de conhecimento específico, assim como matemática, português ou ciências e que, portanto, também deve estar entre as disciplinas ensinadas nas escolas. ‘‘Todo mundo tem direito a ter acesso a essa área de conhecimento, e o responsável é a escola, senão o ensino de música fica elitizado’’, enfatiza. 


Flauta - instrumento de sopro utilizado desde épocas muito remotas. A flauta doce é mais simples e a mais conhecida. Já a flauta transversal tem embocadura lateral e mais 16 orifícios dotados de chaves

A música foi disciplina obrigatória nas instituições de ensino entre 1932 e 1971, mas só dois anos atrás a obrigatoriedade retornou com uma lei sancionada pelo presidente Lula. Até então, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação fazia obrigatório o ensino de Arte, mas não especificava o conteúdo da disciplina.
 
Para Helena, aprender música na escola não significa que o aluno vá, necessariamente, se tornar músico. A música, assim como outras disciplinas, faz parte da educação integral de um estudante. ‘‘A música desenvolve o ser humano em áreas em que só ela é capaz’’, avalia. Segundo a docente, essa área do conhecimento pode aprimorar a percepção, a sensibilidade, a expressão e o senso estético sob o ponto de vista musical da pessoa. 



(M.F.C.)

Folha de Londrina
24/08/2010
http://www.bonde.com.br/folha/folhad.php?id_folha=2-1--4624-20100824

sexta-feira, 16 de julho de 2010

16° Simpósio Paranaense de Educação Musical – SPEM

Nesta edição, o SPEM vem convidar pesquisadores, estudantes, profissionais e interessados na efetivação da educação musical no âmbito da educação básica no Brasil hoje. Após quase dois anos da aprovação da Lei 11.769/08, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de música, pode-se perceber que ainda há um longo caminho a percorrer até que a ela se faça realmente presente no dia a dia das escolas brasileiras. Apesar disso, sabemos que diversas ações bem sucedidas vêm sendo realizadas e que pesquisas têm contribuído para o aprimoramento das ações e a formação de professores. Por isso, nesse momento privilegiado de reconstrução da educação musical na escola brasileira, o 16º SPEM propõe o encontro e a partilha de experiências e ideias, a fim de promover o enriquecimento mútuo entre os participantes e a possibilidade do surgimento de propostas renovadas, a serem colocadas em prática, buscando oportunizar aos estudantes brasileiros o acesso à educação musical, sistematizada por meio da escola regular.

16º SPEM - UEL 2010

16º SPEM - UEL 2010
10/07 - Encerramento - Plenária com apresentação dos grupos de trabalho, avaliação do evento e propostas de ações a curto e médio prazo