UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE LONDRINA
RESENHA CRÍTICA DO FILME MR. HOLLAND
Wellington
Luiz Santos Gouvêa
Metodologia de Ensino da Música II -
Jul/2012
O filme Mr. Holland
nos conta a história de um músico compositor que por questões financeiras
decide lecionar. Mesmo com o intuito de agir por curto espaço de tempo acabou
passando grande parte de sua vida atuando como professor. Além das
responsabildades ou obrigações financeiras que o cotidiano lhe impôs, Mr
Holland se apegou à esta profissão.
Desta primeira
sugestão do filme já buscamos uma questão interessante, pois é um acontecimento
que retrata a vida de muitos músicos não professores que, por questões
diversas, se vêem na situação de lecionar. Em nossa própria licenciatura, na
UEL, temos relatos de muitos alunos que saem da graduação, da licenciatura em
música, sem terem em seus planos a docência mas que em pouco tempo se
direcionam à tal ato.
O filme também
descreve bem a situação de um homem que, como nunca havia pensado em lecionar,
não tinha preparo suficiente em relação à didática. Após inúmeras frustrações
ele começa a perceber que conhecendo o universo cultural ou existencial de seus
alunos as portas começam a se abrir e a comunicação, ou a relação
professor-aluno se torna efetiva. É quando ele investiga os gêneros musicais
que estão mais presentes na vida de seus alunos e parte a argumentar
musicalmente a partir desse repertório que lhes é familiar.
Em princípio Mr.
Holland dava aulas expositivas como quem segue uma apostila, ignorando por
completo o acompanhamento de seus alunos. Não houve a mínima preocupação com
uma avaliação diagnóstica, ou um cuidado na compreensão dos alunos sobre os
conteúdos. Até que o professor começa a se sentir fracassado, frustrado, e
então procura por meios de atrair a atenção de seus alunos.
Esse momento é
reforçado pela gravidez de sua esposa, quando Mr. Holland percebe que
dificilmente vai conseguir deixar o cargo de professor, emprego que lhe
proporcionava certa estabilidade financeira. Já não contava mais em juntar dinheiro
para investir na carreira de compositor, precisava se tornar um bom professor e
viver bem com isso. É quando decide que precisa tornar suas aulas mais
agradáveis e interessantes para seus alunos e então parte para a descoberta do
repertório que seus alunos mais gostavam de ouvir. Deste momento em diante ele
consegue uma conexão com os alunos e passa ensinar música a partir deste
repertório, estabelecendo relações entre essas músicas e outros estilos
presentes na história da música.
É neste momento que
Maura Penna afirma que Mr. Holland substituiu uma “função meramente técnica,
[...] sistematizada em um livro didático [...]”, por uma atitude reflexiva
(PENNA, 2010, p. 29). Um alerta interessante que o filme nos traz neste
instante é o momento em que o professor decide fazer esta abertura com os
alunos, utilizando o gênero rock n´ roll, e ao conquistar os alunos ele recebe
uma advertência da escola sobre o risco de se utilizar uma música rebelde, fora
dos moldes de disciplina, como que se esse sentimento fosse incondizente com o
ambiente escolar disciplinador.
Isso pode ocorrer em
nossa atual realidade brasileira, em nosso contexto, com a utilização do Rap ou
do Funk, ou de músicas que possam ser enquadradas na chamada indústria
cultural. Entretanto, como nos lembra Penna (2010, p.30), em nosso PCN para o
ensino fundamental existe uma orientação similar, que propõe uma educação
musical que parta da vivência do aluno, de sua relação com a música que lhe é
familiar, e então estabeleça novos significados com a expansão de seus
conhecimentos estético-musicais.
Este trabalho, da
atividade reflexiva, pode não ser fácil mas se mostra bastante gratificante
quando constata-se uma contribuição significativa na formação dos alunos.
REFERÊNCIA:
PENNA, Maura. Mr Holland, o professor de música na
educação básica e sua formação. Revista da ABEM, Porto Alegre, V. 23, 25-33,
mar. 2010.
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